Como funciona o sistema de Barragem de Rejeito?

A barragem de rejeito é um tipo de estrutura. É construído para contenção do material resultante do processo de mineração, é basicamente o que sobra desse processo e não pode mais ser reutilizado para nada. Esse material é uma lama que dependendo da região e do tipo do processo de mineração pode ser composto por partículas mais finas, como no caso das argilas ou até mesmo por partículas mais grossas como no caso das areias, o tipo do material resultante é de extrema importância até porque boas partes das barragens são construídas por esses mesmos materiais, ou seja, o comportamento desse material em meio a um contexto estrutural pode ser a diferença entre uma estrutura estável e uma estrutura que se rompe com facilidade.

Esses rejeitos são despejados na área da barragem por gravidade através de canais ou até mesmo bombeados, uma vez na barragem passam por um processo de decantação, que é quando as partículas sólidas se separam da água, isso forma na barragem uma espécie de praia de rejeito, entendendo o que é exatamente o rejeito de mineração e como eles são transportados até as barragens podemos entender como essas estruturas são construídas e os tipos de barragens.

barragem de rejeito

Tipos de Barragens de Rejeito no Brasil

Existem três tipos de barragens de rejeitos hoje no Brasil, claramente que dentre esses três tipos existem outras variações e modelos compostas por mais de um tipo, mas basicamente são essas três:

 – Barragem a Montante:

A construção desse tipo de barragem começa por um processo que vai ser comum para todos os outros tipos que é a a base, ou também conhecido como fundação, que nada mais é que um aterro compactado geralmente composto por rochas, para garantir a boa estabilidade e capacidade de carga, após esse processo é colocado um tapete drenante que vai servir para redirecionar a água represada para dutos de saída para que essa água não gere danos para a estrutura principal, nesse ponto é feito o dique de partida que é a primeira estrutura de contenção, essa barreira é geralmente feita com o aterro compactado com enrocamento, quando a barragem demanda uma maior capacidade é feito um alteamento, nesse caso essa nova estrutura de contenção é construída com o próprio material de rejeito e levantada a montante da primeira estrutura de contenção, ou seja, para dentro da barragem acima inclusive dos rejeitos, esse processo pode ser repetido várias e várias vezes durante a vida útil da barragem sempre que for necessário o aumento da capacidade é feito um novo alteamento, o processo de barragem a  montante é um dos mais comuns, pois envolve um baixo custo de execução e uma rapidez significativa, porém dentre os três métodos é o mais instável, como os alteamentos são construídos em cima de camadas de rejeitos que podem não estar totalmente instáveis e são estruturas individuais quase sem nenhuma ligação entre si se tornam frágeis e muito suscetíveis a ruptura quando perturbadas como, por exemplo, por tremores ou um aumento do volume de contenção, esse inclusive foi o tipo de barragem usada em Brumadinho e Mariana.

– Barragem A Jusante:

Esse é tipo mais instável e seguro dentre os três tipos, o processo de fundação e drenagem é exatamente igual, porém o alteamento da barragem é sempre feito a jusante, ou seja, sempre para o lado externo da barragem, isso faz com que a estrutura cresça proporcionalmente na largura e na altura, ou seja, a cada alteamento a estrutura ganha uma base maior aumentando cada vez mais a sua inércia, que consequentemente ganha mais estabilidade.

Os contra desse tipo de barragem é primariamente o custo e depois também o tempo de execução, como a cada alteamento o processo fica cada vez mais difícil há um crescimento praticamente exponencial no custo e no tempo de execução, sem contar que essa técnica demanda um espaço maior para ser implantado que na maioria das vezes pode não ser um problema, mas ainda assim é um contra significativo principalmente ao ter planos a longo prazo para essas barragens.

– Barragem em Linha Central

Essa barragem tem o alteamento seguindo o mesmo eixo, todas as camadas de alteamento são ligadas entre si, assim como  no alteamento a jusante e elas também têm um crescimento da base que aumenta sua estabilidade apesar de não ser tão instável como no caso anterior chega bem próximo, porém tem custo menor, um tempo de execução menor além de ocupar menos espaço, mas esses tipos de estruturas não são simples assim, além da complexidade da execução necessitam de um constante monitoramento por isso são instalados sensores que detectam variações incomuns na estrutura, esses sensores em geral são sondas cravadas no solo próximos à barragem que podem, por exemplo, medir o aumento da umidade, vibrações e estabilidade do solo, toda a estrutura avisa quando está prestes a sofrer uma ruptura e as barragens não diferem, dependendo da ruptura é possível detectar com um bom tempo de antecedência permitindo a evacuação em casos estremos ou até mesmo a remediação, isso sem contar todas as avaliações das estruturas por profissionais especializados que analisam o estado da estrutura periodicamente.

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